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sábado, 11 de outubro de 2014

Resenha: O Sangue do Olimpo

Sete meios-sangues responderão ao chamado.
 
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.

Um juramento a manter com um alento final,

E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.

Sinopse: Depois de enfrentarem as mais penosas missões, Percy Jackson e os outros tripulantes do Argo Dois ainda precisam encarar a pior delas: chegar a Atenas a tempo de impedir que Gaia, a Mãe Terra, desperte. Neste último volume da série Os Heróis do Olimpo, a Atena Partenos irá para oeste, enquanto o Argo Dois seguirá para leste. Os deuses, ainda sofrendo com a dupla personalidade, não podem ajudar. Como os semideuses consiguirão vencer sozinhos um exército de gigantes e impedir uma guerra entre os acampamentos? A viagem para Atenas é perigosa, mas não há outra opção. Eles já sacrificaram muito para chegar onde estão. E, se Gaia despertar, será o fim.



Resenha: O Sangue do Olimpo é o desfecho da saga Os heróis do Olimpo, onde os meios-sangues gregos e romanos lutam contra todas as forças para impedir Gaia, a deusa inicial de acordar. O livro tem vários focos, de acordo com qual ponto de vista a história está sendo contada, temos nesse livro capítulos divididos entre Nico, Jason, Leo, Piper e Reyna. Isso mesmo, nada de ponto de vista de Percy ou Annabeth, o que deixou a desejar porque são os personagens que mais conhecemos e no final da saga eles não passaram de cadjuvantes no desfecho, e muitas vezes pareciam fracos e vulneráveis, isso se pode dar pelo tempo que ambos passaram nas profundesas do Tártaro no livro A Casa de Hades.

O último livro é marcado pelo final da viagem dos heróis, dos Estados Unidos até a terra antigas dos deuses: a Grécia antiga, ou mais especificamente Atena. Como todo mundo sabe, a vida de um meio-sangue não é fácil, e nessa viagem os sete escolhidos mais os outros três que os axiliaram (Nico, Reyna e o sátiro Treinador Hedge) passaram por muitas coisas, e o destino do planeta estão em suas mãos eles não podem falhar. No caminho até Atenas eles encontraram alguns deuses desde os grandes como Apolo e Ártemis, até deuses pequenos como a deus da vitória e a deusa das tempestades. E cada um deles lhes mostraram algo que auxiliaram a viagem deles e deram dicas de como tentar derrotar os gigantes filhos de Gaia. Mas todos alertaram que a profecia seria mantida e que um dos sete iriam morrer (Um juramento a manter com um alento final).

O livro é basicamente dividido em dois: contando o percurso dos integrates do navio Argo 2 e outro contando o caminho pelas sombras que Nico e Reyna fazem carregando a estátua da Atena Partenos para marcar a paz entre gregos e romanos. Cada um dos dois grupos enfrantaram perigos diferentes.

A grande novidade nesse livro é a participação de Reyna na história, a pretora romana. Que em Percy Jackson e os Olimpianos foi inimiga de Percy na ilha da Circe junto com sua irmã Hylla, na época elas eram ajudantes da bruxa, mas agora depois do ocorrido na ilha, Reyna virou uma pretora romana e Hylla virou rainha das Amazonas. Mas pra mim o que deixou o livro incrível foi Nico Di Angelo, o crescimento dele desde a primeira aparição dele é incrível, ele se descobre um peronagem cativantes.

Os demais já conhecemos e não há novidades, a não ser o bromance de Jason e Percy e a amizade de Piper com Annabeth e Hazel. E o tanto como todos os sete cresceram como heróis, eles se tornaram tanto individualmente como coletivamente fortes.

O livro conta com a volta de muitos personagens como Thalia Grace, e o final (que não irei contar!) é o melhor e uma ajuda que não esperava apareceu no momento exato. E o último parágrafo do livro é tipo AH MEUS DEUSES OBRIGADO mas não leia antes, não seja como eu.

Rick Riordan acertou em quase tudo, digo quase porque como ele prometeu na dedicatória do livro, deixou não poucos mais muitos mistérios sem respostas. Se isso quer dizer que poderemos ter mais livros, não sei. Entretanto, teve "falhas", coisas que eu achei que poderia ter sido melhor, mas quem sou eu para falar o que seria melhor? E como fã eu não aceito que acabe assim. Quero mais. 

Sete meios-sangues responderam ao chamado, consiguirão eles cumprir a missão de salvar a terra de Gaia?  Todos sairão vivos? Os acampamento sobreviverão? Qual será o destino de nossos heróis? Todas essas respostas respondidas em O Sangue do Olimpo. Mas outras tantas surgem e não são respondidas.

O livro é lançamento do mês, e por ser lançameto, não quero aprofundar no desenrolar da história para não contar spoilers para quem ainda não leu. O que posso fazer depois é um post review da saga toda, o que acham?  


 



"Mesmo ali, no entanto, eles estavam em território inimigo. Porque Gaia era a terra, e a terra tinha despertado."



"Os deuses do Olimpo desceram dos céus em suas bigas ao som de clarins e com espadas em chamas. "


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Resenha: Precisamos Falar Sobre o Kevin

Sinope: Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.

 (A capa original é mil vezes mais bonita que a capa com base no filme)

Resenha: Antes de mais nada tenho de dizer que é uma leitura dura e difícil, não é fácil ler em cada página os horrores que desde que nasceu Kevin realizou. Eva e seu marido Franklin eram apaixonados, porém um queria filhos e o outro não. Ela tinha uma vida de empresária bem sucedida e viajava pelo mundo todo, não estava disposta a abrir mão de tudo para cuidar de filhos. Mas ao ver o relacionamento abalado, e com medo de perder o marido Eva resolve ter o primeiro filho, e assim nasceu Kevin. Ao narrar o nascimento do filho, Eva nos mostra como Kevin já nasceu odiando o mundo, ele demorou horas para nascer, e ao chegar ao mundo sem chorar não quis saber de mamar no peito da mãe. E ao decorrer do anos, o temperamento de Kevin só piorou. Mas Eva não fica atrás, ela não é o que feinimos como boa mãe: é impiedosa, sarcástica e com o drma de sua vida ficou armagurada. Mas não impede o fato de gostarmos da narradora, você se apaixona por eva pelos defeitos mais que pelas qualidades

Desde o início sabemos que Kevin irá realizar uma chacina, e o foco do livro não é o ato, mas o motivo que levou Kevin a fazer o que fez. Um dos grandes conflitos narrados pela mãe, é o fato do pai não ver do que o filho era capaz. E todo problema que o menino arranjava o pai defendia de uma forma cega. E os problemas foram muitos: Kevin fez o vizinho cair e se machucar de uma bicicleta; fez uma colega do primário que tinha uma doença de pele se coçar até sangrar o corpo todo; fez uma professora perder o emprego a acusando de abusos sexuais contra ele. A narrativa de Eva, nos mostra atos nojentos de Kevin, como por exemplo, se masturbar na frente da mãe. E o pior de tudo, ele jogou ácido no rosto da irmã fazendo ela perder um dos olhos.

Um ano após a matança que o filho realizou, Eva perdeu tudo, só sobrou um apartamento caindo aos pedaços e sem amigos e familiares por perto, a única coisa que resta para ela é visitar o filho na instituição para menores. Durantes as visitas, Eva descobre que o filho é um ídolo entre os menores lá dentro. Mas também quantas pessoas são capazes de matar onze pessoas com uma balastra e flechas? Kevin com suas roupas bem menores do que o número que realmente usa tem orgulho de dizer é o maior e mais jovem assassino de todos os tempos.

O fato ocorrido faz Eva registrar todos os massacres escolares dos últimos anos e chega a uma conclusão: nenhum foi tão quanto o realizado pelo seu filho. Kevin virou famoso e em uma das cartas escritas por Eva, ela relata que fizeram vários documentários sobre Kevin Khatchadourian, ou como ficou conhecido KK. E também fala sobre o último realizado, onde realizaram uma entrevista com ele, e nesse último ele diz que se não fosse ele a vida do país não seria nada, que todos amam ver, ouvir e julgar ele. Que todos deveriam agradecer a ele, e pagar o que várias produtoras ganharam em cima do que ele fez. E afirma não haver culpa e arrempedimentos. Mas quando a mãe pergunta ao filho o por quê de ser poupada para sofrer todas essas reviravoltas em sua vida? A resposta é prática e seca:
"Quando a gente monta um show, não atira na plateia."

Porém, o pior (ou o melhor) do livro fica para o final. Nas últimas duas cartas, Eva nos mostra porque a família esta ausente, e dois anos depois de perder tudo Eva faz a última visita ao filho antes dele ser transferido para um presídio. Nessa última visita, ela pergunta o por quê dele ter feito o que fez, e ele responde pela primeira vez deixando a máscara no chão que não sabe se realmente sabia o porquê. E confirma que tudo que Eva desconfiou sendo como atitudes de Kevin era real, pois nesse último encontro ele devolve para ela a prótese do olho da irmã que retirou dela ao assassina-la. Kevin é um mostro, mas todos os monstros são humanos, e humanos tem sentimentos.

O que torna esse um livro grandioso é a forma com a autora consegue abordar o tema, sem necessesariamente colocar a culpa exclusivamente no assassino, ou sim. É um reflexão que ela deixa para o leitor, de quem é a culpa: da família? Da sociedade? Do assassino? De uma doença? ou simplesmente acontece?  Além disso, existe toda uma crítica para a nossa sociedade atual, Eva também reflete sobre os costumes das pessoas, como por exemplo, o hábito das pessoas de se meterem na vida das mulheres grávidas. Ela até diz mais ou menos que depois que a mulher fica gŕavida, as pessoas acham que ela e a criança são públicas.

Na última página, é revelando ainda mais, Kevin e Eva se perdoam pois entendem que ambos tiveram culpa no ocorrido. E Eva volta em fatos narrados nos primeiros capítulos, reflete sobre tudo o que viveu e escreveu e chega a conclusão que negou durante toda a narração, que apesar de Kevin ter feito tudo o que fez, ela o ama. Precisamos Falar Sobre O Kevin é um livro marcante e deve ser uma leitura obrigatória para todos.


"É só isso que eu sei. Que, no dia 11 de abril de 1983, nasceu-me um filho, e não senti nada. Mais uma vez, a verdade é sempre maior do que compreendemos. Quando aquele bebê se contorceu em meu seio, do qual se afastou com tamanho desagrado, eu retribuí a rejeição - talvez ele fosse quinze vezes menor do que eu, mas naquele momento, isso me pareceu justo. Desde então, lutamos um contra o outro, com uma ferocidade tão implacável que chego quase a admirá-la Mas deve ser possível granjear devoção quando se testa um antagonismo até o último limite, fazer as pessoas se aproximarem mais pelo próprio ato de empurrá-las para longe. Porque, depois de quase dezoito anos, faltando apenas três dias, posso finalmente anunciar que estou exausta demais e confusa demais e sozinha demais para continuar brigando, e, nem que seja por desespero, ou até por preguiça, eu amo meu filho."